“Perigos dos agrotóxicos nos alimentos” foi tema de reunião do Consea

O uso de agrotóxicos foi o tema da reunião do mês de maio do CONSEA – PR – Conselho Estadual de Segurança Alimentar e Nutricional do Paraná. A ASP, como entidade membro, esteve presente, representada pela nutricionista Tammy Kochanny. O tema, de acordo com a nutricionista, revela uma situação preocupante: “temos números alarmantes de casos de intoxicação. A quantidade de agrotóxicos utilizada nos alimentos é muito grande, muitas vezes incluindo a utilização de produtos que não são nem permitidos em outros países, e ainda temos como fator agravante a dificuldade de acesso e alto preço dos alimentos orgânicos”.

Tammy ressalta também a importância de participação da sociedade civil organizada nos espaços consultivos como o CONSEA: “é importante para podemos nos empoderar de informações verdadeiras e que nos embasam, enquanto cidadãos, para cobrarmos melhorias das autoridades”.

A reunião do CONSEA, bem como dados encontrados em publicações, revelaram alguns dados que dão um panorama sobre o perigo dos agrotóxicos. Apresentamos a seguir algumas dessas informações, como forma de sensibilizar a população para os riscos que os altos índices de agrotóxicos nos alimentos trazem à população.

As leis que vigoram no Brasil possibilitam maior risco

(Foto: Thinkstock)

De acordo com as informações apresentadas, a legislação brasileira não é tão rigorosa quanto em vários outros países do mundo. O Brasil é o maior importador de agrotóxicos do mundo e permite o consumo de substâncias que são proibidas em muitos países, por oferecerem comprovados riscos à saúde humana. Segundo a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), atualmente 504 agrotóxicos são permitidos no Brasil. Destes, 30% são proibidos pela União Europeia. A legislação brasileira permite a pulverização aérea, o que representa também risco às populações rurais.

Os exemplos da falta de rigidez da lei aparecem nos mais diversos tipos de substância: o glifosato, substância utilizada para matar ervas daninhas, tem um limite máximo de utilização 5 mil vezes maior do que na Europa. Segundo a Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), o Brasil é o país que mais consome produtos agrotóxicos no mundo, com uma média de 7,3 litros dessas substâncias por pessoa, a cada ano. A média é ainda mais assustadora se considerados os números do Paraná isoladamente: são 8,7 litros por pessoa.

Casos de intoxicação impressionam

Em 2017, foram 11 registros de intoxicação por exposição a agrotóxicos por dia. De acordo com um estudo feito pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), no total, 164 pessoas morreram após entrarem em contato com a substância; e 157 ficaram incapacitadas para o trabalho, sem contar as intoxicações que evoluíram para doenças crônicas, como câncer e impotência sexual.

O número de casos de intoxicação exógena – aquela que acontece por conta de ingestão de substâncias estranhas ao próprio corpo – também é alto. O Brasil é o país que mais consome agrotóxicos no mundo e os paranaenses ingerem em média 7,5 litros por pessoa a cada ano.

O Paraná desponta no número de pessoas intoxicadas por agrotóxicos, com 3.723 casos entre 2007 e 2014, como aponta o estudo da USP. Todos os estados brasileiros têm casos registrados e, durante o período estudado, foram 25 mil pessoas envenenadas, o equivalente a oito por dia. A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) estima que para cada notificação haja outros 50 casos não notificados. Entre 2007 e 2014, também foram registradas 1.186 mortes por intoxicação em todo o país.

Benefícios dos orgânicos

Os alimentos orgânicos são aqueles produzidos sem uso de agrotóxicos ou qualquer outro tipo de produto que possa vir a causar algum dano à saúde dos consumidores. Apresentam benefícios para o consumidor e também para o meio ambiente. As fazendas produtoras de orgânicos se preocupam com a conservação do solo, mantendo assim um compromisso com a sustentabilidade e reduzindo a poluição.

Os alimentos orgânicos são facilmente identificáveis nas prateleiras dos supermercados ou lojas especializadas, por possuírem selo específico de identificação. A dificuldade, no entanto, é o acesso. Não há uma produção em larga escala. O resultado são preços geralmente mais caros – em alguns produtos a diferença passa de 200% e não são encontrados em todos os mercados e espaços de venda de hortifrúti ou carnes.

Para mais informações, consulte:
Agrotóxicos: Brasil libera quantidade até 5 mil vezes maior do que Europa:
http://reporterbrasil.org.br/2017/11/agrotoxicos-alimentos-brasil-estudo/

Brasil consome 1/5 dos agrotóxicos produzidos no mundo e cerca de 1/3 deles é proibido na Europa:
http://conexaoplaneta.com.br/blog/brasil-consome-1-5-dos-agrotoxicos-produzidos-no-mundo-e-cerca-de-1-3-deles-e-proibido-na-europa/